Para mudar é preciso agir

É inevitável que o início de mais um ano traga consigo muitas reflexões, mas, cuide para não perder o compasso e ficar apenas no mundo das boas intenções: entre em ação!

Entre os meses de dezembro e janeiro, nossa caixa de e-mails fica repleta de mensagens de otimismo, gratidão, amor, bondade, pensamentos positivos e tantas outras do gênero. Embora reconheça o entusiasmo desse momento um pouco mais fraternal entre os seres humanos – que, contudo, infelizmente, ainda não se estende aos demais animais – ainda fico surpresa em ver como a ilusão coletiva estimulada pela mídia, pelos livros e mensagens de autoajuda, se transformam em um verdadeiro processo de autoengano.

Uma esperança artificial, que termina por tingir a realidade de tons cor-de-rosa, ao mesmo tempo em que nos remete a uma imagem de ingenuidade, facilmente caracterizada como a Síndrome de Pollyana, que faz prevalecer uma atitude conformista frente a todas as agruras e dificuldades presentes no cotidiano, ou até mesmo uma fuga da realidade.

Desse modo, as expectativas de mudanças são delegadas ao destino, aos deuses, à mega sena da virada, ao universo. Entretanto, assim que essa névoa de ilusão se dissipa, a dura realidade se impõe e a constatação de que os problemas não findaram com o ano que terminou. 

Aprenda a mudar sua atitude!

Para mudar, é preciso comprometimento. Não existe prova maior de incoerência do que repetir as mesmas ações todos os dias e esperar por resultados diferentes, pois eles não irão acontecer. Mudar é um processo pessoal e profundo. As mudanças não ocorrerão fora, se não mudarmos por dentro e, principalmente, se não transformarmos intenções e planos, em ações efetivas.

Não se trata de abandonar os nossos sonhos, nem tampouco de aprender, como a personagem Pollyana, tão bem descrita pela escritora norte-americana Eleanor H. Porter, a obter contentamento nas adversidades e a extrair beleza da falta de perspectivas do presente.

Ousemos lançar a cabeça nas nuvens, cuidando de preservar os pés no chão. Toda mentalização pode ser poderosa e eficaz, desde que tenha continuidade em uma ação coerente. Pode-se até apostar nos jogos de azar, porém, a sorte estará mais próxima daqueles cujos pensamentos, palavras e ações convergirem aos seus objetivos.

Por Fernanda Monteforte

Matéria publicada na revista Táxi Cultura

Edição de Waldir Martins

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